California, meu amor

Paul Thomas Anderson realizou o filme “Haverá Sangue” (There Will Be Blood) e com ele arrecadou dois Oscars de entre oito nomeações, como a de Melhor Filme do Ano (que haveria de ser entregue aos irmãos Cohen pelo seu “Este País Não É Para Velhos” (No Country For Old Men).
Já se conhecia que os textos de Thomas Aderson têm mensagens nas entrelinhas. No caso “Haverá Sangue”, no qual o realizador adaptou o guião a um romance de Upton Sinclair, é possível perceber as origens da monumental teatralidade do povo norte-americano (neste aspecto Daniel Day-Lewis e Paul Dano têm prestações fabulosas), os desvios profundos causados por uma cegueira religiosa. A ambição e a concorrência feroz também.
Todas estas obsessões continuam presentes nos dias de hoje na sociedade norte-americana. Veja-se a forma teatral, espectacular com que os candidatos se apresentam aos seus eleitores, como se tudo se passasse num programa de entretenimento do Jay Leno ou da Oprah Winfrey. Também a cegueira religiosa, que continua a ser responsável por várias tragédias mais ou menos mediáticas estão aqui retratadas. O poder de deus o poder do dinheiro ou ainda o poder do amor, numa correria paralela mas que se fundem por vezes.
O filme, que passou na última sessão do Cineclube de Guimarães (18 de Maio de 2008), causou em certo desalento. Não será um filme tão marcante (como o foi “Magnólia”) e, por isso, dificilmente será lembrado no futuro. Tirando as prestações de Daniel Day-Lewis e Paul Dano, o filme é pobre. A banda-sonora original, da autoria do Radiohead Johnny Greenwood chega a ser perturbadora (o que neste filme talvez nem soe despropositada).
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