Desde cedo que o mês de Junho nas Caldas das Taipas tem para mim um encanto especial. Parece-me sempre que é um mês que traz consigo alguma felicidade. Em Junho as pessoas saem à rua. Voltamos a ver pessoas que não víamos há alguns meses. Regressam os emigrantes para as suas férias. Respira-se alegria e bem-estar nas ruas da vila.

Quando era miúdo e quando ainda brincava lá para os lados dos Banhos Velhos, dizíamos por esta altura que “cheirava a S. Pedro”. Na realidade o cheiro não era mais do que o resultado da frutificação da tília, que acontece por esta altura, coincidindo com as festas.

Para aquele bem-estar também contribuirão em grande medida as Festas da Vila e de S. Pedro, que congregam muitas daquelas actividades. Embora seja a Junta de Freguesia a assumir o papel de entidade organizadora, é inegável que o bom resultado que se tem alcançado nos últimos anos é fruto em grande parte do envolvimento das colectividades locais. E ainda bem que assim é, já que o resultado é muito mais frutuoso.

Junho é ainda o mês em que Caldas das Taipas assinala a passagem para uma idade adulta, com seu aniversário como vila. Parece-me que esta data mereceria um outro destaque e outro envolvimento por parte dos taipenses.

A idade adulta a que me refiro, parece às vezes estar mais perto outras vezes mais longe. E não se pense que me refiro a questões de auto-determinação*. Para quem me costuma ler e para quem me conhece sabe que não alinho neste tipo de discursos. Refiro-me sim à nossa capacidade nos afirmarmos como povo, de mostrarmos o que valemos e o que nos diferencia, durante os outros onze meses do ano.

* texto publicado originalmente no site www.reflexodigital.com, em 19 de Junho de 2008.



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