pdm-caldelas_500

Entre os primeiros sinais de festa, com as primeiras mostras do programa das Festas da Vila e de S. Pedro, houve um acontecimento sério e à partida de interesse para a vila (sem querer dizer que a festa e a alegria não devam ser uma coisas sérias – são com certeza).

O grupo Por Amor Às Taipas decidiu colocar a vila no centro de um debate. Poderia pensar-se que os resultados do debate, vindos de uma candidatura político-partidária, estariam à partida condicionados. Assim como o discurso demasiado ensaiado. Era natural que assim fosse.

Porém, houve momentos surpreendentes em que vários dos intervenientes em debate discordaram entre si e até mesmo o moderador não se coibiu de mandar a sua farpa, o que atenuou aquela condicionante. Apesar do calor, valeu a pena.

Destaco dois resultados de que gostei particularmente de ouvir.

Em primeiro lugar, a introdução no discurso político local das preocupações de ordenamento e planeamento do território da freguesia.

Lembrei-me a este propósito de duas ideias. Nas últimas eleições os candidatos centraram-se basicamente em apresentar projectos, sem que se percebesse como é que estes se relacionavam entre si.

Um dos três grupos de trabalho incumbido de concertar um conjunto de ideias no sentido de “Projectar a Vila”, apresentado pelo arquitecto Isac Marques, foi exposta a necessidade de definir áreas de intervenção através de Planos de Pormenor, que articulassem os bens patrimoniais, a rede viária ou ainda os vários projectos a edificar que devem ser pensados para a vila, através nomeadamente do tratamento espaço público.

É um avanço que me satisfaz, muito embora continue a preferir a ideia de que um só Plano de Urbanização talvez fosse mais eficaz, com um único regulamento, mas com várias unidades operativas.

Houve uma segunda imagem que me ocorreu enquanto assistia ao debate. Curiosamente foi naquele mesmo espaço, no Salão da Escola EB 2,3, que em 1983 foi apresentado o Plano Geral de Urbanização das Taipas. Um plano que embora coordenado pelo arquitecto Manuel Fernandes de Sá, teve também a colaboração próxima do arquitecto Fernando Távora.

Recordo vagamente esse dia, mas do que retenho leva-me a concluir que aquela terá sido a última oportunidade que Caldas das Taipas teve de optar por um desenvolvimento sustentado, respeitando as características que sempre a distinguiram. Não resultou, e desde aquela derradeira tentativa a vila cresceu torta para que agora mais dificilmente se possa endireitar.

Sabemos infelizmente que entre a definição de estratégias e a sua implementação; da elaboração de planos e projectos à sua execução há um imenso espaço que urge encurtar.

O segundo grande resultado que gostaria de registar respeita à necessidade defendida por alguns dos intervenientes de uma verdadeira aposta na cultura na vila. Para não tornar este post demasiado longo (e porque confesso que estou cansado), deixarei essa reflexão para os próximos dias.



No Responses Yet to “Caldas das Taipas em debate (parte I)”  

  1. No Comments Yet

Leave a Reply