“Quero ser um G.N.R.”
Quando era pequenino – mais pequenino do que sou agora, dizia que quando fosse grande gostava de ser um G.N.R. Ser um G.N.R. significava para mim representar a autoridade e ser merecedor de algum respeito, quanto mais não fosse por ter uma arma no coldre. Isto, para mim que passava a vida a levar porrada na escola era uma ideia fascinante.
Hoje sou um G.N.R. e confesso que isto é muito mais divertido do que eu pensava antes. Não percebo como continua a não haver efectivos nos postos. Quando não temos que fazer no posto, normalmente trabalho administrativo, que qualquer funcionário poderia fazer, vamos fazer outros serviços. Mas nada de andar atrás de bandidos, que isso é muito pouco divertido. Além de ser arriscado. É muito melhor andar a caçar multas, ainda por cima agora que temos quotas para cumprir.
Assaltos e criminalidade violenta? Isso é um mito urbano. Diminuição de acidentes nas nossas estradas? Isso é porque nós andamos sempre em cima! E há sempre alguma coisa para aplicar uma multazita. Então aqueles que inventam desculpas, como dizer que têm o dinheiro contado até ao fim do mês, não têm hipótese. Isto para não falar nos tascos que dizem que lutam para sobreviver e que não têm possibilidade de cumprir todo o protocolo da ASAE. Ora essa! Ele há cada uma…
Enfim, ser um G.N.R. tem sido uma experiência e tanto. Se me perguntassem hoje o que queria ser quando fosse grande, mais grande do que sou agora, responderia sem hesitar: “Eu quero ser um G.N.R.”
Nota 1: Este é um texto de ficção, baseado no texto escrito por Vítor Rua para uma música dos G.N.R. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.
Nota 2: Em alguns países, que não o nosso, recorro sempre a um polícia na altura em que sinto alguma dificuldade. Seja para pedir uma simples informação, seja para me sentir mais seguro. Cheguei a passar uma noite numa esquadra porque foi o local mais seguro que encontrei para esperar por um comboio na manhã seguinte. Em Portugal, tenho medo deles, fujo dos nossos “agentes da autoridade” (só este substantivo dá-me arrepios) porque chego à conclusão que só existem para me dificultar a vida e não para ma facilitar (conclusão exagerada eu sei, porque há excepções).
Nota 3: Provavelmente serei multado nos próximos dias. Caso seja e se não for preso, cá estarei para fazer o registo.
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