Guimarães Cidade Capital

21Jan12

Começou hoje oficialmente o período em que Guimarães se mostrará à Europa como Capital Europeia da Cultura. Foi uma festa enorme, numa simbiose entre o notável e já reconhecido espaço da cidade, a população que o defende com unhas e dentes e uma mistura de outras gentes – de outras proveniências e culturas.

Foi um processo longo e atribulado este, desde que em 2006 Isabel Pires de Lima anunciou que o governo português iria indicar Guimarães para ser Capital Europeia da Cultura em 2012. Há seis anos portanto. Não estou certo de que a população tenha tomado consciência da importância daquele anúncio. Os que tiveram, começaram apressadamente a tecer conjunturas acerca do que deveria ser 2012 para Guimarães.

Enquanto isso, associações com cariz cultural e outras posicionavam-se acreditando que esta poderia ser uma excelente oportunidade para mostrar o seu trabalho e dessa forma contribuir para o programa de 2012. No Convento de Santa Clara preparava-se a candidatura, sem que fossem divulgados muitos pormenores, o que ia contra a expectativa crescente de alguns círculos de opinião. A população de uma forma geral continuava alheada do que se estava a passar, precisamente por nada ser suficientemente claro. Sabia-se que o orçamento global seria de 111 milhões de euros – 70% para equipamentos e 30% para programação.

Depois de constituída a Fundação Cidade de Guimarães era apresentada a Capital Europeia da Cultura – Guimarães 2012, a 14 de Junho de 2009 no Centro Cultural Vila Flor, ao mesmo tempo que eram apresentados os rostos que iriam pôr em marcha tão grande e importante projecto para a cidade e para os vimaranenses e ainda as bases programáticas do seria a Capital Europeia da Cultura.

O assunto foi entrando cada vez mais nas agendas política, associativa e popular. Nesta última da pior forma. Um escândalo gera sempre muito falatório nas praças, nos barbeiros, nos adros das igrejas no final das missas domingueiras. O assunto era o desajuste dos ordenados astronómicos auferidos pelos membros da Fundação Cidade de Guimarães e a realidade financeira do país. Foi assim que a Capital Europeia da Cultura em particular Cristina Azevedo, a presidente da fundação, entrou na boca do povo.

O filme ia correndo. Eram cada vez mais evidentes as diferenças entre o esperado e o que efectivamente chegava aos bancos dos Toural (numa altura em que eles ainda lá estavam). Carlos Martins – um dos grandes timoneiros deste projecto, abandona o barco e o mau estar chegou também à autarquia. Este capítulo terminaria com um acordo de rescisão com Cristina Azevedo e virava-se esta página, estávamos já em Julho de 2011. Este episódio infeliz acabou por funcionar como uma exorcização pública e Cristina Azevedo poderá ter sido o bode-espiatório. Talvez isso nunca se venha a saber…

João Serra, antes vogal na presidência da Fundação assumiria o papel de presidente do Conselho de Administração. Carlos Martins volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído, agora como Director Executivo.

As grandes decisões seriam tomadas daqui em diante. Havia ainda muito trabalho pela frente: um orçamento que não esticava, uma comunidade inteira para conquistar e convencer. O que fazer? Aqui terá sido dado o passo fundamental e por ventura genial por parte dos programadores – agregar o que já se fazia na cidade com provas dadas numa nova moldura comum; explorar o potencial criativo da cidade, que se sabia ser bastante; e envolver ao máximo a população local que, sabendo-se orgulhosa como poucas, não hesitaria em vestir a camisola. E foi o que aconteceu.

Este ano não é para massas e acho bem que não seja. Dois mil e doze não se esgotará no virar do ano. A cidade ficará apta para estimular e explorar a criatividade artística, fazendo disso móbil para o desenvolvimento de outros sectores mais tradicionais. A população ficará mais apta à compreensão de manifestações artísticas. A cidade girará em torno desta realidade como o fazem já muitas cidades. Se antes já dizia em conversa que Guimarães era para mim a mais europeia das cidades portuguesas, desde hoje que passei a não ter qualquer dúvida acerca disso.



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