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A convocatória surgiu via sms. Treze mil e quinhentas pessoas responderam à chamada e juntaram-se na Trafalgar Square de Londres para cantar Hey Jude dos Beatles, com dois mil microfones. Foi um dos fins de tarde do Sing Along, patrocinado pela operadora de telemóveis T.Mobile. O efeito é impressionante e destaca-se a partilha de uma canção pop que já se suspeitava ser património mundial. É este o grande poder da música pop (e os operadores de redes de telemóvel que o digam)…
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Não posso esconder que foi com grande surpresa que percebi, primeiro na Escola do Pinheiral e depois na confirmação dos números oficiais, os resultados da última eleição para a Assembleia de Freguesia, nos quais Constantino Veiga esmagou os seus correntes políticos e partidários. Acrescento que terá sido maior a surpresa desta vez do que da outra, há quatro anos atrás.
Não se vislumbram grandes motivos no mandato de Constantino Veiga capazes de justificar tanta diferença de votos. O voto em Constantino Veiga foi, sobretudo, um voto contra Ricardo Costa e um voto de descontentamento face à política que, de Guimarães, António Magalhães continua a reservar para a freguesia e a para a vila.
Quando surgiu a candidatura de Ricardo Costa, nas condições existentes naquela altura, acreditava que a mesma poderia ser suficiente para retirar a maioria a Constantino Veiga. No decorrer do ano seguinte, a candidatura socialista multiplicou esforços numa campanha extraordinária na dimensão. Ricardo Costa rodeou-se de algumas pessoas notáveis, de pessoas-chave em alguns sectores e, sobretudo, uma significativa camada de apoio de jovens eleitores, o que a dada altura me permitiu ganhar reservas sobre uma previsão clara para o resultado de domingo e sobre uma possível vitória do PS.
A verdade é que a candidatura socialista não soube utilizar aqueles activos de que dispôs durante um ano. Ou seja, se a campanha foi grande em dimensão, foi pobre em conteúdo. Esbanjou as vantagens ainda em potência (qual subprime) dando tiros nos pés, nomeadamente nos casos do Centro Pastoral e do Lar de Idosos, onde tentou atirar areia para os olhos dos eleitores, com cobertura partidária e com instrumentalização institucional. Entrou num registo grosseiro nas assembleias de freguesia. Incompatibilizou-se com o único órgão de comunicação social existente na freguesia, porque não conseguiu “telecomandá-lo”, tentou depois descredibilizá-lo. Faltou ao único debate para todos os candidatos porque não aceitou as condições propostas e foi o único a fazê-lo.
Resultado: perdeu de forma humilhante. Conseguiu melhor resultado do que o de 2005, com a candidatura improvisada de José Luís Oliveira, que teve uma fracção muito inferior de meios de campanha e de apoio explícito do partido.
Por outro lado, não posso dizer que esteja satisfeito com este cheque em branco que se passa a Constantino Veiga. Em primeiro lugar, não me agrada de todo o seu estilo “pimpa”, intempestivo, de ideias fixas e da sua falta de habilidade para dialogar. Um presidente que entende que as suas maiores apostas culturais foram as festas da vila e o Enterro do Arturinho, faz-nos tolher face à dúvida do seu bom gosto. Além disso, mais quatro anos de guerrilha com Santa Clara continuam a ter uma forte possibilidade de acontecer.
Em Guimarães, o sinal expresso num resultado eleitoral tão extremado que parte de Caldelas também deve ser lido com perspicácia. Se o executivo do PS e de António Magalhães insistir em alimentar as más relações com um presidente de junta que não lhe agrada, poderá alimentar também o efeito multiplicador expresso nas urnas.
Terá de correr riscos. Poucas alternativas restam além de trabalhar com o presidente da junta eleito, permitindo que algumas intervenções se façam, correndo o risco de: primeiro, beneficiar Constantino Veiga que terá no futuro obra para apresentar; ou em segundo, o de, no final do mesmo período, a Câmara Municipal continuar a ser responsabilizada pelo facto de as mesmas obras não se realizarem.
O resultado de domingo não me agradou, em segundo lugar, porque a Assembleia de Freguesia não contará mais com um dos elementos mais competentes e mais sensatos que tinha, ou seja, Cândido Capela Dias. Ironicamente a CDU tinha o único candidato que, face ao seu percurso político, face ao trabalho e conhecimento demonstrado nas Assembleias de Freguesia foi e certamente continuará a ser considerado um dos poucos políticos com perfil em Caldelas. A parte sórdida da ironia é que foi empurrado borda fora.
Quanto às restantes candidaturas: o Bloco de Esquerda acabou por pagar o facto de a bandeira da auto-afirmação de Caldas das Taipas ter ganho um embaixador com muito maior visibilidade e poder e que, ainda por cima, é de Braga. Continuam a pregar a concelhite como remédio santo para todas as maleitas da freguesia. Foram lobos com pele de cordeiro e tal viu-se com a ostentação da faixa com a inscrição “Taipas a Concelho” logo após terem sido conhecidos os resultados, até à altura em que Constantino Veiga discursava junto ao coreto.
Por último, o CDS-PP de João Gomes teve um resultado proporcional à campanha que fez. O candidato esteve sozinho toda a hora, entregue às “feras” por um partido que deveria ter vergonha de ter conseguido um resultado abaixo do que Vicente Salgado conseguiu em 2005.
Estou curioso para acompanhar os próximos tempos da vida da freguesia. Gostava sinceramente que as enormes clivagens que foram alimentadas neste último ano fossem resolvidas, permitindo aos taipenses uma coexistência tranquila, pacífica e profícua no trabalho das muitas instituições que deles (taipenses) fazem parte – primeiro entre si e depois com o exterior. Mas sei, no entanto, que tal não será fácil.
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2009
FAMAFEST 14 a 21 de Março, VN Famalicão
Indie Lisboa 23 de Abril a 3 de Maio, Lisboa
FEST 21 a 28 de Junho, Espinho
FESTIVAL DE CURTAS METRAGENS 4 a 12 de Julho, Vila do Conde
FESTIVAL AVANCA 22 a 25 de Julho, Avanca – Estarreja
MOTELx 2 a 6 de Setembro, Lisboa
Festroia 4 a 13 de Setembro, Troia
Douro Film Harvest 9 a 13 de Setembro, vários concelhos da Região do Douro
Queer Lisboa 18 a 26 de Setembro, Lisboa
IMAGO FILM FEST 26 de Setembro a 5 de Outubro
MOSTRA-ME – Mostra de Cinema Português Lisboa
FESTA DO CINEMA FRANCÊS 7 de Outubro a 10 de Novembro, Lisboa, Almada, Porto, Guimarães, Faro, Coimbra
ANIMATU 14 a 18 de Outubro, Beja
DocLisboa 15 a 25 de Outubro, Lisboa
Fast Forward 16 a 17 Outubro, Braga
CINE’ECO 17 a 24 de Outubro, Seia
Cinanima 9 a 15 de Novembro, Espinho
AROUCA FILM FESTIVAL 20 a 22 de Novembro, Arouca
FESTIVAL DE CINEMA LUSOBRASILEIRO 6 a 13 de Dezembro, Santa Maria da Feira
2010
FANTASPORTO 22 de Fevereiro a 7 de Março
FICA Maio, Algarve
PORTO7 – FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS-METRAGENS DO PORTO 9 a 13 de Junho, Porto
Falta algum festival de cinema nesta lista? Enviar novas entradas para: dumasedoutras@gmail.com
Última actualização em 15 de Outubro de 2009
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A política do calhau
Terminou o circo. Finalmente! Agora vem a reflexão. Este dia tem a sua piada muito particular. Depois de tanto disparate, as pessoas andam na rua seríssimas. Parece que andam todos a tentar adivinhar em que é que o outro irá votar. Mas sem poderem perguntar!
Nestes últimos tempos tenho chegado à conclusão de que realmente António Magalhães é um grande político. (Acho mesmo. Esta parte deve ser lida sem ironia.) É quase daqueles políticos que cria uma corrente própria que segue a sua doutrina. Foi dele que ouvimos: “Quando me atiram a primeira pedra [a ele António Magalhães], se eu puder atirar um calhau dos grandes, vai um calhau dos grandes”.
Claro que o senhor presidente não estava a falar a sério. Todos perceberam o que ele queria dizer com aquelas palavras. Mas houve quem as tivesse levado muito a sério. A campanha para as autárquicas em Caldelas esteve repleta de episódios que se podem apontar como exemplo. Aqui vão alguns.
O Partido Socialista fez a maior campanha eleitoral de que tenho memória na freguesia. Um ano inteiro de campanha, sem parar nem esmorecer. E se eu achava que o primeiro cartaz do PS no centro da vila era grande demais, fiquei estarrecido quando reparei que o PSD tinha conseguido a proeza fazer um outdoor umas seis vezes maior e pô-lo à frente da Pensão Vilas.
Uns dizem que o Lar Idosos será na variante do Avepark. Os outros respondem que será na Pensão Vilas. Uns dizem que a juventude está com o candidato do PS. Os outros dizem que não senhor, está com o outro candidato do PSD. Uns preferem a sardinha assada, os outros o porco no espeto.
Uns dizem que a mudança será verdadeira. Os outros preferem referir-se à outra verdade, que é a da mentira. Ou seja, tanto uns como outros referem-se à verdade deles próprios, como se fossem as únicas verdades existentes à face da terra.
Resta saber quem será o próximo presidente da Junta da Freguesia. Eu não arrisco. Se tivesse mesmo que responder diria que se não for um ou outro, serão os dois ao mesmo tempo. Esta última hipótese significaria que teríamos mais quatro anos de arremesso.
No meio de tanto circo e de tanto calhau que anda pelo ar, a sério que acabo por dar muito valor a este “dia de reflexão”. O que não deixa de ter piada. Vamos lá então reflectir mais um bocadinho… OOOoooouuum!
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Gerir um concelho como o de Guimarães, com 69 freguesias, não será tarefa fácil. É muito densa a teia administrativa que cobre o concelho e disto resultam perdas, insuficiências e desigualdades – não se consegue chegar a todo o lado e a todos. Como agravante, uma estratégia que aplique a maior parte dos recursos financeiros na sede do concelho faz com que essas desigualdades sejam mais agudas.
Nesse sentido, “se esta câmara fosse minha”, trabalharia no sentido conseguir uma maior coesão do território de todo o concelho. A coesão territorial costuma ficar bem nos programas e nos discursos, mas teima em não ter efeitos práticos notáveis.
Em Guimarães facilmente se comprova que um munícipe da freguesia de Castelões, não tem as mesmas oportunidades, nem os mesmos recursos que tem um outro munícipe de S. Sebastião. É absurdo pensar que um e outro devem ter exactamente os mesmos recursos e exactamente as mesmas oportunidades. Será mais sensato, antes, pensar em maneiras de compensar essas diferenças.
Tornar a estrutura administrativa mais leve passaria por uma reorganização do mapa das freguesias do concelho, agrupando-as, diminuindo assim o seu número e diminuindo também o número de intermediários no processo de decisão. Ao fazê-lo, contrariamente ao que possa parecer, aproximar-se-ia o poder autárquico do cidadão, na medida em que se tornaria o sistema mais eficiente.
A coesão territorial passaria ainda pela definição de três centralidades no concelho: Caldelas, S. Torcato e Moreira de Cónegos. Estes estariam organizados subsidiariamente relativamente à sede do município, com a descentralização de vários serviços, redistribuição de competências e de recursos financeiros. Hoje, os sistemas de informação digitais permitem que a localização deixe de ser uma condicionante em muitos aspectos. A nível empresarial, por exemplo, esta realidade há muito que foi absorvida.
A habitação é também uma questão essencial – não só ao nível da sua organização territorial, mas sobretudo na gestão da sua oferta. Sabe-se que, nas últimas décadas, o poder autárquico se foi tornando dependente financeiramente das receitas sobre a ocupação do território, o que promoveu uma ocupação desordenada, descaracterizadora e dispersa. Essa seria a primeira tendência a inverter. Não se percebe como é que, conhecidas as desvantagens de uma a ocupação dispersa do território, se insiste na sua continuidade, com o consequente agravamento das dificuldades já existentes – desde logo dos custos com a infra-estruturação, dos transportes públicos, etc.
Aspecto preocupante, ainda na área da habitação, é o envelhecimento e gradual esvaziamento do centro histórico e de toda a zona envolvente. Num trabalho de continuidade, seria urgente definir uma política que habitação que invertesse essa sangria, promovendo condições para a requalificação urbana e para a ocupação dos muitos edifícios vazios localizados naquela zona nobre do concelho. À sua escala aplicar o mesmo modelo nas três centralidades. Criando condições para a fixação, também aí, de população.
Num mesmo contexto do fomento da coesão territorial, a mobilidade teria um elevado nível de importância. Neste campo, haveria duas escalas de planeamento – uma concelhia, outra regional. O sistema de transportes no concelho seria ordenado em torno das três centralidades, cada uma deveria ser equipada com uma central de transportes públicos, de forma a garantir uma melhor cobertura em todo o concelho. Estas três centrais estariam articuladas com uma outra, em Guimarães (que além de ser a sede do concelho é também o seu centro geográfico), sendo que esta faria a articulação com os sistemas de transporte a nível regional.
Felizmente, há em Guimarães vários bons exemplos decorrentes da gestão autárquica dos últimos anos. Nomeadamente, a identificação do capital histórico da cidade que foi em boa hora exemplarmente aproveitado, com o trabalho desenvolvido no Centro Histórico. Esse modelo deveria ser replicado em todo o concelho: identificando as potencialidades existentes; definir prioridades; canalizar investimento público e cativar o privado.
Concluindo, tornar o território concelhio mais coeso, aproximando e redistribuindo o poder autárquico tornando-o mais eficiente, criar condições de qualidade de vida para a fixação de população e interligar essa população entre si, seriam as minhas prioridades “se esta câmara fosse minha”.
Outros textos desta série no Colina Sagrada
Texto de Francisco Brito
Texto de Carlos Ribeiro
Texto de Rui Silva
* este texto foi originalmente publicado no blog Colina Sagrada em 5 de Outubro de 2009.
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Frases d’Outros
“Em Guimarães, património da humanidade, onde trabalhei, eu digo: “Já não posso com isto”. Guimarães sempre teve mais de dois terços da população e do emprego fora do perímetro urbano. E sempre acharam normal; agora cavou-se uma trincheira. Só se preocupam com o centro histórico, com a cidade extraordinária. Do outro lado da trincheira, está a cidade ordinária, a genérica, que não tem marca e ninguém vê… As pessoas agarram-se ao que acham que conhecem, e, à medida que vai aumentando o trauma da perda da cidade extraordinária, aumenta a amnésia do resto. Por isso acho que os investigadores, e o planeamento, se devem centrar nesta área da cidade, que da outra já há muito quem se ocupe.”
Álvaro Domingues, geógrafo e docente da Falculdade de Arquitectura do Porto, em declarações ao jornal Público de 3 de Outubro.
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Frases d’Outros
Sobres as diferenças entre as eleições na Alemanha e em Portugal:
“Os alemães estão habituados aos consensos e às coligações – como, aliás, acontece na maioria das democracias do Norte da Europa. E, como todos sabemos, elas vivem muito bem assim. Em Portugal ainda estamos infelizmente mergulhados numa cultura democrática em que a alternativa à maioria absoluta é quase sempre uma política de terra queimada. [...]
Aqui, todas as diferenças parecem abismos, todos os partidos querem “rasgar” o que está feito, muitas vezes não tanto porque haja diferenças substantivas mas porque há uma voragem de poder e de controlo que é muito pouco saudável, que assenta num Estado asfixiante da sociedade e dos seus agentes, e que ajuda a explicar a lentidão do nosso desenvolvimento. [...]
Quando o país mais precisava de consensos e de estabilidade, vai provavelmente ter que viver com o contrário. Quanto tudo muda à nossa volta, nós teimamos em que tudo fi que na mesma.”
Teresa de Sousa in Público, de 30 de Setembro de 2009
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Se a crise económica e financeira parecia estar a terminar, aproxima-se uma outra crise em Portugal: a crise intitucional entre Presidente da República e Primeiro-Ministro. Quando será que isto acaba?
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Lista dos prémios Polaris
Os prémios de música Polaris são entregues anualmente, desde 2006, no Canadá, como forma de reconhecimento pela “integridade artística” dos discos produzidos naquele país.
Vencedores do prémio de música Polaris 2009
Fucked Up – The Chemistry Of Common Life
Nomeados para o prémio de música Polaris 2009
Elliott BROOD – Mountain Meadows
Great Lake Swimmers – Lost Channels
Hey Rosetta! – Into Your Lungs (and around in your heart and on through your blood)
K’NAAN – Troubadour
Malajube – Labyrinthes
Metric – Fantasies
Joel Plaskett – Three
Chad VanGaalen – Soft Airplane
Patrick Watson – Wooden Arms
Vencedores das edições anteriores
2008 Caribou – Andorra
2007 Patrick Watson – Close To Paradise
2006 Final Fantasy – He Poos Clouds
site Polaris Music Prize
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