MÚSICA, OPINIÃO

Blitz (2006-2018)

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Lia com muito interesse, embora, quando era o jornal semanal, ao interesse se juntasse um prazer maior. Quando acabou o jornal, pensei que a revista era melhor do que nada. Para já, o site não me chega para preencher o vazio que deixa a revista e que deixou o jornal, em 2006.

O/A Blitz impresso era a referência. Qualquer artista/banda valorizava muito quando saia na Blitz. Ou ficava insatisfeito quando não saia nada (que é na verdade uma forma de valorização).

Devia dar mais destaque a isto ou àquilo? É verdade que podia, mas o que era feito era bem feito, desde logo, por exemplo, os trabalhos do Rui Miguel Abreu, que são hoje e mais serão no futuro, importantes documentos.

Tenho pena que desapareça o título. É certo que o digital é mais barato, mas não é a mesma coisa. Além disso, há muita coisa que não está no site (as críticas, as ilustrações, por exemplo).

Quando houver uma hecatombe nos servidores, eu terei sempre os jornais/revistas para consultar. Espero continuar a “encontrar por aí” a Lia Pereira, a Rita Carmo, o Rui Miguel Abreu, o Miguel Cadete o Luís Guerra e o Mário Rui Vieira.

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OPINIÃO

A tradição não precisa de ser sempre o que era

Esta noite, ouvi foguetes sem parar a partir da meia-noite até sensivelmente à 1.45h. Eu percebo a questão da trabição e até respeito quem acha muita piada aos foguetes.

Quando se colocam questões maiores, seguramente maiores que o potencial divertimento de ouvir estouros sem sentido no céu, creio que é de um arcaísmo confrangedor, que diz muito do sentido de responsabilidade vernacular do nosso povo.

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FRASES D'OUTROS

Frases d’Outros

aspasA linha vermelha não está em calarmos situações inaceitáveis que são permitidas a um número significativo, infelizmente significativo, de membros da comunidade cigana; está em considerarmos que eles fazem o que fazem porque são ciganos. Na verdade, eles fazem o que fazem porque a sociedade, as forças da ordem, os políticos, a comunicação social, lhes permitem que o façam e penalizam quem queira impor o primado da lei, como sendo “racista”. E o mais absurdo é que grupos que ideologicamente deveriam falar não o fazem em nome de um anti-racismo puramente subordinado à luta política” – José Pacheco Pereira, no artigo “Trump e os ciganos”, publicado no jornal Público de 24 de Julho de 2017.

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OPINIÃO, TERRITÓRIO

A floresta tem que arder todos os anos

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Fotografia © João Porfírio / Observador

Parece-me haver em Portugal um certo culto pela comiseração. Os portugueses são pessoas de bom coração, incapazes de virar os olhos ao sofrimento de outras pessoas, muito menos quando se trata dos seus – neste caso seus compatriotas. Também me parece que há quem saiba disto muito bem e entenda que tudo se resolve com campanhas de solidariedade. Desconfio ainda que há interesses ocultos que impedem resolver os problemas que estão na base para que todos os anos se repitam os relatos de desastres associados aos incêndios florestais.

Pelos vistos, o Secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, também sabe destes interesses ocultos (ele próprio já assumiu isso), que fazem com que recursos e esforços sejam canalizados mais para o combate aos incêndios florestais do que à resolução dos problemas que estão por trás das vagas anuais de incêndios. Parece mesmo que, dê por onde der, a floresta tem mesmo que arder todos os anos.

Todos os anos é a mesma coisa – espera-se por momentos como este que estamos todos a assistir em Pedrógão Grande, para encontrar responsáveis, que muitas vezes tentam fazer omeletes sem ovos. Todos nós já sabemos como é: há logo quem reclame por demissões; há também sempre muita urgência em apontar inquéritos e grupos de trabalho como capazes de resolver coisa alguma. Enquanto não tiver uma boa resposta para o facto de haver voluntários para se combaterem incêndios e não haver voluntários para limpar a floresta, é sinal de que uma espécie de mão invisível anda a tomar conta dos nossos recursos florestais.

Portugal ainda tem uma área florestal considerável, não negligenciável e não despiciente. No entanto, as estruturas de vigilância e de manutenção permanente das florestas foi desmantelada, com o desaparecimento, nomeadamente, dos serviços e dos guardas florestais. Opta-se por gastar o dinheiro no que se chama de prevenção e no combate aos incêndios, em vez de, antes disso, se canalizarem os esforços para a tal correcta gestão da floresta, que todos os anos se defende que deve ser feita.

É um argumento recorrente justificar a falta da limpeza das florestas com a alteração das práticas agropecuárias. No entanto, sabemos hoje que há formas de aproveitamento da biomassa, nomeadamente aproveitamento energético, que poderíam alimentar uma pequena indústria. Evitava-se assim o acumular do mato que cobre as florestas e que, quando seco, é o verdadeiro barril de pólvora pronto a receber uma ignição, seja ela natural ou premeditada. O resto é o que se vê.

Há uns meses, numa sessão de apresentação do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF), na qual estive presente, o Secretário de Estado Jorge Gomes começou por dizer que o objectivo para a época de incêndios que então se preparava era evitar ao máximo a ocorrência de qualquer vítima mortal no combate a incêndios. Na mesma sessão, pediu uma mão mais pesada por parte da GNR no cumprimento na legislação em matéria de prevenção. Na altura em que proferia estas palavras, ainda antes da tão temida Fase Charlie, Jorge Gomes dava conta que, àquela altura, as marcas de número de ocorrências e de área ardida do ano anterior já tinham sido ultrapassadas.

Por também não gostar de ver o sofrimento de outras pessoas em momentos de uma crueldade extrema, por também me comover com o sofrimento de quem ficou sem nada, não me custa nada ajudar no que puder. O que me custa é assistir todos os anos à repetição do mesmo inferno, depois de se considerar estratégico o combate aos incêndios, em vez de se canalizarem melhor os recursos para que os incêndios deixem efetivamente de acontecer com esta violência.

Todos os anos serem gastos 70 milhões de euros no combate a incêndios, mais 30 milhões em acções de prevenção, cuja eficácia é todos os anos posta em causa da forma mais dolorosa para famílias inteiras e para o património florestal. Àqueles 100 milhões ainda há que somar seguramente muito mais do que isso em prejuízos e em perdas patrimoniais irreversíveis, que nenhum fundo de calamidade conseguirá compensar.

Em vez de todos os anos, à entrada do verão, haver um Dispositivo Especial de Combate a Incêndios, devemos ter um Dispositivo Especial de Protecção das Florestas no final de cada inverno. Deveríamos saber exigir que fossem repostas as estruturas de defesa, protecção e vigilância da floresta que sucessivos governos foram extinguindo – os Serviços Florestais; os Guardas Florestais. Que o dinheiro que vemos arder todos os anos seja aplicado efectivamente na defesa da nossa floresta e desta forma, na protecção das pessoas que vivem em áreas florestais.

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Sobre os parques de estacionamento

Há uns dias, fui chamado a comentar uma opinião do Francisco Brito, no Facebook, sobre a necessidade de estacionamento na cidade de Guimarães. Isto é o que penso sobre o assunto:

1. Não há falta de estacionamento no centro de Guimarães. Por isso, esse não é para mim um problema.
2. A cidade está rodeada por parques de estacionamento. Por não serem gratuitos não podem deixar de ser considerados como solução.
3. Mesmo que a falta de estacionamento fosse um problema, existem ainda muitas possibilidades, antes de esventrar o centro de uma cidade histórica. Por exemplo, existem naves inteiras de fábricas abandonadas que, com pouco dinheiro, poderiam ser transformados em parques para automóveis. Esta requalificação é uma prática em muitas cidades.
4. Não existem acções dirigidas aos cidadãos que promovam a utilização dos parques de estacionamento existentes, nem há soluções ajustadas às necessidades dos cidadãos, particularmente os que vivem e trabalham no centro da cidade.
5. Não é por causa do estacionamento que as pessoas usam menos o comércio tradicional. As pessoas que visitam esporadicamente a cidade, seja em negócios, seja em lazer, têm onde estacionar os automóveis.
6. A tendência em matéria de planeamento urbano é para aliviar os centros das cidades da presença do automóvel. Tal não significa que o automóvel deva ser banido das cidades. Este meio continua e continuará a ser (mesmo que passe a andar a água) um veículo importante na mobilidade das pessoas.
7. Os processos de industrialização, de suburbanização e a crescente facilidade no acesso ao automóvel promoveram o aparecimento de movimentos pendulares entre as cidades e as zonas residenciais nos interstícios urbanos.
8. Os movimentos pendulares existem em todas as cidades. Faz falta uma solução eficaz para lidar com estes movimentos diários e esse é o problema.
9. A gestão dos transportes públicos em Guimarães é miserável. A falta de soluções de intermodalidade nos transportes colectivos dissuade a sua utilização. As pessoas são obrigadas a trazer o carro para trabalhar.
10. Guimarães, sendo uma grande cidade, é uma cidade pequena. Uma cidade monumental e histórica como Guimarães tem que ter cuidados excepcionais na sua conservação.

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