CALDAS DAS TAIPAS, REFLEXO

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O final de uma fase, que foi uma odisseia durante alguns meses, está finalmente visível para todos. Ainda estamos a afinar alguns detalhes, mas o novo www.reflexodigital.com está online.

Foi um desafio muito estimulante, mas difícil por terem sido mares nunca antes por mim navegados – a construção e o desenho de um site de raiz. Obrigado ao Fernando Pereira, ao Jesualdo Cunha e ao Jorge Nuno por terem aturado o meu temperamento, que sei nem sempre ser fácil.

Estou orgulhoso, mas ciente de que há ainda muito trabalho a fazer. Façam-me chegar as vossas impressões e os aspectos que gostariam de ver melhorados. Obrigado.

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CALDAS DAS TAIPAS, OPINIÃO, TERRITÓRIO

Defesa do envolvimento público no projecto urbano do centro de Caldas das Taipas

Uma das imagens virtuais apresentadas pela equipa do projecto de intervenção urbana, da Escola de Arquitectura da Universidade do Minho.

Uma das imagens virtuais apresentadas pela equipa do projecto de intervenção urbana, da Escola de Arquitectura da Universidade do Minho.

Sempre achei uma estupidez não aprender com os erros e repeti-los sistematicamente. Do mesmo modo, entendo ser um desperdício que os bons exemplos e as boas práticas não sejam replicadas em situações diversas àquelas em que tiveram sucesso, para que os sucessos se multipliquem.

Em Portugal, infelizmente, os bons exemplos em matéria de política de urbanismo e de envolvimento e participação pública nas decisões de projecto não são ainda muito numerosos. No entanto, é possível indicar uma série de exemplos, alguns deles muito próximos, dos quais nos poderíamos servir para replicar boas práticas, pelos bons resultados que conseguiram registar.

O ante-projecto para a intervenção urbana no centro da vila de Caldas das Taipas foi apresentado no dia 18 de Março de 2016. O trabalho foi entregue em Julho de 2015 à Escola de Arquitectura da Universidade do Minho, à mesma equipa que liderou intervenções significativas no centro da cidade de Guimarães – no Toural e na Alameda de S. Dâmaso.

Após a apresentação pública nas Taipas, foi avançado que o projecto estaria concluído em Junho de 2016 e que as obras se iriam iniciar ainda no mesmo ano. Há muito que se fala na necessidade de uma intervenção urbana no centro da vila de Caldas das Taipas (fez vinte anos que António Magalhães, anterior presidente da Câmara Municipal de Guimarães, anunciou que poria as Taipas num “brinquinho”).

As opções de desenho que foram então avançadas não passaram de trivialidades, que qualquer intervenção urbana contemporânea deverá ter em conta, não sendo de esperar que fosse de outra forma. Daí que aquelas opções tenham colhido uma generalizada aprovação.

Desde que a equipa técnica começou a trabalhar, iniciou-se no terreno um trabalho de pesquisa e levantamento, sendo esta prospecção um momento em que se redescobrem muitos aspectos que estavam esquecidos ou até que se desconheciam por completo; em que se revolvem as memórias e as particularidades dos lugares. Momentos como este deveriam ser aproveitados para um maior envolvimento da população local, de uma forma mais abrangente e lata.

O ante-projecto ou projecto-base foi então apresentado publicamente em meados de Março de 2016. Nessa altura, foram tornados públicos alguns conceitos teóricos e alguns elementos que, com base no tal trabalho de campo, deverão servir para fundamentar as opções de projecto e de desenho. As opções de desenho que foram então avançadas não passaram de trivialidades, que qualquer intervenção urbana contemporânea deverá ter em conta, não sendo de esperar que fosse de outra forma. Daí que aquelas opções tenham colhido uma generalizada aprovação.

Desde aqueles esquiços primários, não mais se ouviu falar sobre as opções que estão a ser pensadas e que tipo de intervenção está a ser preparada para o centro do vila das Taipas. É importante lembrar que esta centralidade urbana encerra em si uma forte carga simbólica e afectiva, que a relaciona com a sua história e com a população que a usa e a frui. Houve alguns desafios lançados à população para que houvesse participação, com o envio de sugestões à autarquia ou à equipa técnica.

Mas, de que forma podem as pessoas envolver-se efectivamente quando a tradição de participação pública é tão rara e quando os elementos que deveriam fundamentar eventuais sugestões não estão disponíveis em lado algum? Com todos os meios tecnológicos que temos disponíveis e que poderiam servir para apoiar a construção de opinião formada, é inadmissível que não haja disponível, em qualquer plataforma, qualquer informação para consulta do processo e do andamento do projecto de planeamento urbano.

Haveria várias formas de estimular um maior envolvimento da população nas opções que irão ser tomadas na intervenção. E é aqui que poderíamos recorrer aos tais bons exemplos que comecei por referir no início do texto. Desde logo, o envolvimento público no processo do Toural-Alameda ou então, mais recentemente, toda a operação de envolvimento, na discussão e na comunicação do projecto de Couros, igualmente em Guimarães. Este último exemplo, ajusta-se na perfeição ao caso de Caldas das Taipas e deveria por isso ser replicado. Os resultados de toda a operação poderão ser conhecidos no livro que entretanto foi lançado – “Uma Experiência Singular”, que pode ser consultado neste link.

Além disso, os elementos apresentados na sessão pública de Março de 2016 deveriam estar disponíveis. O andamento do processo poderia estar a ser comunicado fosse através de um website, com envio por e-mail de informações regulares ou através das redes sociais. Deveria ter sido criada uma publicação, à semelhança do que a Câmara Municipal está a fazer com a candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia. Deveriam organizar-se fóruns sobre temas sectoriais como, por exemplo, de que forma pode o comércio local ser estimulado; de que forma deverá passar a ser encarado o automóvel no ambiente urbano; sobre a História e as estórias do local; sobre a botânica local; sobre outros exemplos de intervenção em espaço público, etc.

Portanto, à questão sobre o que se espera de uma intervenção deste género deveriam acrescentar-se outras, ou seja, que formas de envolvimento e de participação pública poderão ser executadas e que formas de comunicação poderão ser utilizadas. Apenas com comunicação, envolvimento, participação e discussão o projecto final de intervenção conseguirá reproduzir a história do lugar, preservando a sua memória projectando-a para o futuro e, ao mesmo tempo, que a população se consiga rever nas opções que foram tomadas pelos técnicos e validadas pelos políticos.

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CALDAS DAS TAIPAS, GUIMARÃES, OPINIÃO, TERRITÓRIO

Um pequeno passo para o vale do Ave, um grande salto para o Avepark

Há vinte e cinco anos falava-se nas universidades da necessidade da incorporação do conhecimento e da inovação nas empresas. Os exemplos, vindos quase sempre dos países do norte da Europa e dos Estados Unidos da America, apontavam para a necessidade de criação de centros tecnológicos ou parques de ciência e tecnologia.

O parque de ciência e tecnologia, Avepark, foi o culminar de um longo processo, que demorou décadas. Imaginava, na altura em foi inaugurado, que havia todas as condições para ser um sucesso, que ali se instalariam centros de investigação de ponta, muitas empresas de base tecnológica, muita gente a vir de todo o lado, fazendo do Avepark um laboratório vivo, na transmissão do conhecimento, acompanhando o seu processo de desenvolvimento até à sua implementação na prática.

Imaginava também que o sucesso do Acepark seria bom também para a vila das Caldas das Taipas que, por sua vez, deveria saber adaptar-se e tornar-se numa vila vibrante, virada para o futuro, numa complementaridade com o passado, testemunhado pelo reconhecido centro histórico de Guimarães.

O modelo como tinha sido originalmente formulado e como eu o tinha imaginado falhou. O papel do Avepark está hoje muito longe do que era suposto existir, passados estes anos todos depois da sua instalação. Há, no entanto sinais interessantes, que nos mostram de que ainda há vida para o Avepark e que há um novo sentido a dar ao parque de ciência e tecnologia.

Entretanto, no vale do Ave, os anos 1980 tinham trazido a CEE e a última e a pior crise económica e social que a região viveu. Algumas dessas mazelas duram até aos dias de hoje. Muitas empresas, algumas autênticos impérios, faliram. Outras, porventura dotadas de maior resistência ao embate, resistiram, enquanto o têxtil se pulverizava em pequenas confecções de garagem. Algumas cresceram e deram o salto. Uma nova geração, mais preparada e com outros horizontes, lançaram a indústria do Vale do Ave além fronteiras, com um sucesso assinalável, felizmente, em muitos casos.

Mas a crise endémica do país não deixou que o vale do Ave recuperasse e indicadores como o do emprego chegaram a ser os piores do país, com Guimarães em destaque. Entretanto, nos bastidores da crise, as teorias que eram leccionadas nas universidades passavam à prática, nem sempre graças às universidades, que muitas vezes se mantêm ensimesmadas na sua produção científica, mais preocupada nas carreiras académicas do que na transmissão e transferência do conhecimento.

Felizmente, a Universidade do Minho não coube nesta regra e manteve-se na linha da frente no que respeita há ligação com agentes económicos, sociais e culturais da sua região. Os resultados, que nesta área não são tão rápidos como gostaríamos, começam a ser conhecidos.

Nem tudo correu mal, portanto, ao vale do Ave – a uma academia activa e promotora da transmissão do conhecimento e da inovação, juntou-se um tecido industrial, que soube inovar, fosse por meios próprios, fosse por um intercâmbio com centros de desenvolvimento de conhecimento e inovação. A Universidade de Minho é um bom exemplo, mas há outros, como o CITEVE, Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário, em Vila Nova de Famalicão.

Há dias visitei a Riopele, um exemplo de um grande colosso que conseguiu resistir ao embate da abertura dos mercados, primeiro pela CEE, da UE e os seus sucessivos alargamentos e, depois, pela abertura da Organização Mundial do Comércio aos países asiáticos, com todos os impactos conhecidos.

A Riopele soube que, para sobreviver, teria que apostar na inovação e incorporou no seu processo produtivo a componente de investigação e criatividade, instalada num magnífico pavilhão reconvertido num moderno e gigantesco ateliê, onde convivem criadores e investigadores na área da engenharia têxtil, sem dispensar o saber feito pela experiência de colaboradores que tinham dedicado grande parte de sua vida activa àquela empresa.

Este ano lectivo, o concelho de Guimarães passou a contar com mais uma entidade que dará, com certeza, um contributo importante para a região. O IPCA instalou-se no Avepark, em resultado da visão estratégica dos seus dirigentes, em articulação com autarcas e empresários. O IPCA e a sua oferta formativa foi moldada às necessidades demonstradas pelo meio empresarial e estão lá o calçado a mecânica a gestão e sistemas informáticos. Curiosamente, não abriu nenhum curso relacionado com a indústria das cutelarias, o que seria natural dada a presença da proximidade do sector.

O IPCA junta-se assim ao instituto 3Bs, que tem segurado o Avepark por pontas, às incubadoras de empresas tecnológicas ou à Farfetch, um caso de sucesso à escala mundial, na área do comércio online. Quem diria… De repente revisitei tudo aquilo que tinha imaginado tanto para o Avepark, como para a vila das Caldas das Taipas e, naturalmente, para a freguesia de Barco e pensei que talvez ainda seja possível. Nesta medida a instalação do IPCA em Guimarães, pode ser um pequeno passo para o desenvolvimento do Vale do Ave, mas um grande salto para o Avepark.

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CALDAS DAS TAIPAS, FRASES D'OUTROS, GUIMARÃES

Frases d’Outros

aspasO Presidente da Junta de Freguesia de Caldelas, enalteceu a presença do responsável da Autarquia, afirmando que acredita num ‘entendimento profícuo’ na relação institucional entre Junta e Câmara Municipal. ‘Esta é a primeira obra inaugurada nas Taipas pelo Dr. Bragança, a quem desejo um bom mandato à frente dos destinos de Guimarães’, acrescentou Constantino Veiga. ‘Vamos fazer com que, daqui por quatro anos, tenhamos orgulho no trabalho que fizemos. Quem fica a ganhar são as Taipas e Guimarães’, concluiu Domingos Bragança.

in Correio do Minho, versão online em 6 de Janeiro de 2014,
a partir de Nota de Imprensa da Câmara Municipal de Guimarães

Estas palavras fazem-me acreditar que algo poderá estar a mudar:
. para bem do desenvolvimento de Caldas das Taipas;
. para bem da coesão territorial do concelho de Guimarães;
. para bem das pessoas que cá vivem;
. para bem das pessoas ainda gostam desta terra;
. para bem da minha satisfação pessoal (confesso).

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CALDAS DAS TAIPAS, OPINIÃO

Incúria de vento

Na noite de dia 23 para 24 de Dezembro, um temporal severo fustigou Portugal e um pouco por todo lado, houve acidentes provocados pela força do vento – vedações; outdoors de publicidade; e árvores. De tudo um pouco voou.

Caldas das Taipas, terra onde (até) a lua fala, não foi excepção e entre o que não resistiu ao vento coube uma árvore de grande porte no parque de lazer, que não partiu por estar podre, mas foi arrancada pela raiz, por não conseguir resistir à força das rabanadas de vento.

Não faltaram logo taipenses de pacotilha a acusar, muito prontos, que o incidente se tinha dado mais uma vez por incúria. Sobre os sistemáticos cortes de árvores que se fazem à revelia do que deveria ser o interesse colectivo, feito por privados, nada dizem.

Registaram-se milhares de ocorrências em todo o país. Nas Caldas das Taipas caiu uma árvore, mas há pinheiros que teimam em manter-se de pé.

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CALDAS DAS TAIPAS, OPINIÃO

O último a rir é quem ri melhor

Ficou finalmente concluído o processo de instalação dos órgãos autárquicos na freguesia de Caldelas, processo esse iniciado a 29 de Setembro, data das eleições – ou seja, quase dois meses depois. De todo este processo destaco três pontos sobre os quais tenho reflectido: uma a indisposição geral para discutir seja o for; a voracidade do PSD em querer mandar; e a fragilidade interna do PS.

Quanto ao primeiro, retomo a ideia de que a nossa incapacidade para dialogarmos, respeitando ideias diferentes, é hoje uma das nossas maiores debilidades. Enquanto não conseguirmos falar uns com os outros, pouco valeremos como comunidade que se esforça tanto por se distinguir. Enquanto imperar o ódio, a banalidade, a maledicência e a boçalidade de pouco valeremos como povo.

A este propósito, recordo há uns anos, numa sessão da Assembleia de Freguesia, quando um dos elementos de uma das mesas dizia acreditar que não havia consensos e que ou havia ou não havia bom-senso. Nada poderia estar mais errado. O que para uns pode ser considerado bom-senso, pode não ser para outros. É aqui que se deverá encontrar o domínio comum de concordância para que as decisões sejam o mais consensuais possível, abdicando os vários lados dos respectivos motivos provocadores de discórdia.

Segundo ponto, a voracidade do PSD em excluir, logo à partida, um executivo misto, despoletando todo o rodilho que se viria a seguir. Recordo que em 2001, quando o PS de Carlos Remísio perdeu a maioria, o PSD não se fez rogado para ocupar o lugar que achava que tinha conquistado nas urnas. Muitos dos intervenientes eram os mesmos de hoje, para quem o tempo fez muito convenientemente mudar de opinião.

Terceiro ponto, a debilidade interna e a disjunção demonstrada pelo PS. A equipa de Paulo Pereira conquistou do eleitorado o benefício da dúvida e não o soube aproveitar. Com isto, o PS desapontadou os que votaram naquela equipa e não aproveitou a abstenção daqueles que o PSD não conseguiu convencer para ir votar.

Se na noite eleitoral todos tinham razões para estar contentes, por entenderem que, cada um, tinha ganho alguma coisa; agora deixaram de existir razões para tal alegria – vai continuar (quase*) tudo na mesma, por mais quatro anos menos dois meses, como se as eleições nunca tivessem acontecido.

* Este “quase” foi acrescentado numa edição do texto e é dedicado ao eleito da CDU.

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