CINEMA, EXPRESSÕES, IMAGENS, JORNALISMO, NACIONAL, TERRITÓRIO

Pare. Escute. Olhe. E não esqueça.

Sente-se em Portugal uma certa nostalgia em volta das linhas de caminho de ferro desactivadas. Esse sentimento agudiza-se com estímulos como o do filme “Pare. Escute. Olhe.”, realizado por Jorge Pelicano e lançado há poucas semanas atrás.

Para mim esta nostalgia não tem só a ver com as linhas férreas propriamente ditas. Tem, além disso, a ver com um Portugal que se divide: um cheio e outro vazio; um perto, outro longe; um vivo, outro a definhar. As antigas linhas de caminho-de-ferro têm a delicadeza de, ao longo dos seus ondulados traçados, ligar estas duas realidades.

No fundo, nós sabemos que há um Portugal que está a morrer. Um Portugal de que gostamos muito, que se guarda nas nossas memórias das visitas à casa dos avós, das férias grandes, de viagens inesquecíveis. Mas agora, nós não podemos salvar esse Portugal. Estamos muito ocupados e além disso fica muito longe, apesar das novas estradas que o vão rasgando.

Paulo Pimenta, fotógrafo jornalista premiado do Público fixa neste conjunto de fotografias sobre a Linha do Sabor um pedaço desse Portugal que aos bocadinhos vai desaparecendo. Não do mapa, mas da lembrança. Imagens a preto e branco, como convém, porque os sonhos, dizem, são assim – monocromátricos.

Fotoreportagem de Paulo Pimenta em publico.pt

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EXPRESSÕES, IMAGENS, JORNALISMO

Eyjafjalla

O vulcão que entrou em actividade na Islândia (de nome impronunciável) tem transtornado a vida de milhares de pessoas. Tem sido esse o lado negativo das histórias. Mas um vulcão em erupção é muitas vezes um fenómeno espectacular e que proporciona momentos de grande beleza.

O Público online preparou um slideshow onde se podem ver alguns instantes fotográficos decorrentes da erupção do vulcão. Recomendado pela expressividade deste conjunto notável de imagens.

Fotogaleria Público Online

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GUIMARÃES, JORNALISMO

Television, the drug of a nation

As mesmas televisões que, nos seus jornais, dedicam meia-hora para tentar descrever de que cor são as cuecas do Cristiano Ronaldo ou fazem um directo quando uma formiga é atropelada na segunda circular, não foram capazes de destacar o lançamento da Capital Europeia da Cultura em Guimarães.

Como foi sublinhado na sessão, Guimarães 2012 não é estritamente vimaranense, é acima de tudo uma representação portuguesa na Europa e no mundo. Por isso, esperar um maior destaque não é nenhum tipo de bairrismo exacerbado. É muito mais do que isso.

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CALDAS DAS TAIPAS, JORNALISMO

Verdade daltónica

O jornal Expresso do Ave é, segundo a candidatura Por Amor às Taipas, o único jornal “isento” de Guimarães. Todos os outros andam a encobrir aquilo que os socialistas querem à força toda que seja verdade.

Torna-se evidente que a noção de imparcialidade de quem personifica a mesma candidatura é deficiente, mas mesmo assim insistem em dar lições sobre como fazer jornalismo. Andam a dar tiros nos pés e não querem que isso seja notícia…

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JORNALISMO, OPINIÃO

Agora é mesmo, mesmo a sério…

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Já andamos a ouvir que Guimarães é Capital Europeia da Cultura há quase um ano e meio. Mas agora podemos dizer outra vez, não correndo o risco de estamos a cometer alguma gaffe. Os 27 disseram que sim ao projecto de Guimarães.

Muitos esperavam uma festa igual àquela que se viu na altura em que a cidade ganhou o título de Património da Humanidade da UNESCO. Pois não houve festa nenhuma, talvez porque a generalidade dos vimaranenses esteja afastada da discussão de todo processo e, por isso, nem sequer se lembraram.

Além disso, um evento que se traduz numa representação de Portugal na Europa e no mundo, não teve o respectivo tratamento proporcional através dos media, salvo a imprensa online. O acontecimento passou completamente ao lado do alinhamento dos telejornais. Talvez por não ser em Lisboa.

Até que ponto uma coisa (falta de envolvimento dos vimaranenses) não estará relacionada com outra (falta de atenção dos media)?

Guimarães – Capital Europeia da Cultura em 2012 e agora?

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JORNALISMO, OPINIÃO

Slow Information

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Além da presença cada vez mais intrínseca dos recursos tecnológicos na comunicação e nos media, da segunda Convenção de Jornalistas, organizada pelo Gabinete de Imprensa, ressaltou a ideia da urgência da transmissão da informação, aliada ao potencial das tecnologias disponíveis.

Por exemplo, o encontro foi transmitido quase ao segundo através de vários canais. A ubiquidade da world wide web permite que, em qualquer lado, se possa enviar para todo o mundo, num segundo, a notícia de um acontecimento, por mais imprevisto que fosse. Esta é hoje quase uma obsessão para os jornalistas que, naturalmente, não conseguem estar em todo o lado ao mesmo tempo, nem são tão pouco adivinhos.

Dos dois dias de trabalhos foram várias as questões de que fui tomando nota. A primeira prende-se com a indefinição crescente da capacidade de validar uma informação, à medida que qualquer cidadão, desde que tenha a tecnologia disponível, pode transmitir uma notícia (no sentido lato, uma nota sobre um acontecimento). Por muito que se tenha dito que a informação veiculada tem que ser “validada” pelo jornalista, não será por isso que a informação, mesmo que não validada, deixe de estar disponível, inclusivamente para os próprios jornalistas.

Uma segunda questão, derivada da primeira, diz respeito à quantidade e velocidade com que a informação é produzida, transmitida e retransmitida. Mais uma vez os meios tecnológicos tornaram quase único o fuso horário. Não há dia seguinte. Há o segundo seguinte. Do lado do receptor, do consumidor de notícias, haverá capacidade de absorver tanta informação em tão pouco tempo?

E esta questão, por sua vez, leva a uma outra que vai ao encontro de um movimento relativamente recente – o slow life, que defende que uma melhor qualidade de vida se consegue se nos adaptarmos à velocidade natural do universo e se nos restringirmos àquilo que realmente tem significado. Pergunta-se então: fará sentido falar-se em slow information?

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