Considero bastante a opinião de Manuel Ribeiro, ex-presidente da Assembleia de Freguesia nos últimos mandatos e actualmente secretário da Junta de Freguesia. Aprecio a sua eloquência e forma apaixonada com que expõe os seus pontos de vista que, não obstante, muitas das vezes, são totalmente discordantes com os meus.
No número de Dezembro do Jornal Reflexo, Manuel Ribeiro fez publicar um texto com o título “Desafios”, no qual apelava à reflexão sobre o desenvolvimento das Caldas das Taipas, mesmo que para isso fosse necessário ir contra o instituído ou, usando umas das suas expressões, deixar de ser “politicamente correcto”.
Aceitando o seu desafio, aproveitei o seu texto para fazer a minha própria reflexão sobre os aspectos que Manuel Ribeiro deixou registados. Aqui deixo as minhas notas, sem que as mesmas tenham a pretensão de ser respostas únicas e absolutas para as questões levantadas.
Dividirei o texto em três partes: uma primeira em que exponho os aspectos relacionados com o urbanismo, onde se incluem as questões dos semáforos, da organização do trânsito e do espaço urbano de uma forma geral; a segunda parte será dedicada aos equipamentos (escolares, desportivos, culturais, religiosos, etc.); e finalmente a terceira parte será sobre acessibilidades e transportes.
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EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA
“Daily Pilgrins”, de Virgílio Ferreira
até 12 de Fevereiro, no Museu da Imagem em Braga
Em “Daily Pilgrins”, Virgílio Ferreira decidiu quebrar as regras académicas da iluminação e composição tradicionais da área do retrato, para fazer mergulhar o observador num ambiente bem mais obscuro, que obriga a uma análise transcendente aos paradigmas comuns da imagem fotográfica.
Aparentando retratos, as fotografias que compõem a mostra ultrapassam essa forma de representação, constituindo um desafio e uma provocação para quem vê.
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Lares de Idosos
Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada… a dolorida…
Excerto de “Eu”, poema de Florbela Espanca
NO FINAL DE 2009, com um intervalo de um ano relativamente à notícia de aprovação da candidatura da ACIT ao MODCOM, surgiu outra boa notícia: a aprovação da candidatura do Centro Social Padre Manuel Joaquim de Sousa a fundos europeus, para financiar o seu projecto de construção de um lar de idosos. Trata-se sem dúvida de um vitória importante tanto para a equipa que liderou o processo, como para a vila e para a sua população.
Os equipamentos de apoio à terceira idade afectam uma parte cada vez mais representativa da população. Isso reflecte-se nas suas preocupações. Trata-se de garantir, no limite, as melhores condições não só aos idosos de agora, mas também os velhos que seremos. Sendo algo que a população valoriza crescentemente, transforma-se em objecto de todo o tipo de aproveitamento.
Os meses que antecederam o anúncio da aprovação da candidatura estiveram cheios de episódios tristes e muito pouco dignificantes. Em altura de campanha eleitoral, a construção de um lar de idosos tornou-se no alvo preferido das candidaturas partidárias. Mais o foi quando, nas eleições anteriores, a mesma ideia tinha aparecido, agravando o facto de, em quatro anos, pouco ou nada a ideia se ter desenvolvido.
A novela chegou ao ponto de existirem duas propostas diferentes para a construção do lar. Se houve quem reclamasse para si o feito da construção (quando o mesmo se deveria atribuir em primeiro plano à IPSS que apresentou a candidatura), outros lamentam a instrumentalização de uma instituição que nada deveria ter com interesses partidários.
Em período quente da campanha foi feito circular pela JSD local um texto que transmitia a mensagem de que a candidatura concorrente estava a mentir, dando como certo que a candidatura do Centro Social tinha sido “chumbada”.
Não creio que o aparecimento de tal flyer tenha determinado o resultado das eleições, que foi deveras contundente, embora os vencidos tentem focar-se nesse episódio como facto decisivo para o resultado de 11 de Outubro. É lamentável que se tenha lançado para um debate já de si pobre, elementos infundados e falsos, com o fim último de iludir ainda mais o eleitorado.
Continua a não ser conhecido o fundamento que levou ao lançamento público de informações não confirmadas sobre entidades alheias à responsável pela emissão do flyer – a JSD Taipas. A trapalhada continuou depois com o anúncio da emissão de um comunicado, que depois se desvaneceu. A verdade é que a candidatura foi mesmo aprovada, pondo seriamente em causa a credibilidade dos responsáveis que fizeram crer o contrário, com fins meramente eleitoralistas.
O futuro próximo deverá marcar o início de uma nova etapa para todo o processo de construção do lar de idosos do Centro Social. Há um outro projecto liderado pela Junta de Freguesia e por uma nova associação entretanto criada, do qual se conhecem muito poucos contornos. Esta deveria ser altura de reunir interesses e vontades. Sabemos que, na “terra onde (até) a lua fala”, é também nestas alturas que se deita tudo a perder.
Há pouco mais de um ano, ainda em 2008, surgia a boa notícia de que a Associação Comercial e Industrial das Taipas (ACIT) tinha conseguido a aprovação de uma candidatura apresentada ao MODCOM. O montante da comparticipação do projecto ascendia a 27.716 euros, correspondentes a 60% do montante global do orçamento do projecto apresentado.
Passado um ano desconhece-se em que ponto se encontra a implementação do projecto. Aliás, enquanto nos anos anteriores a actividade da ACIT vinha sendo aplaudida por vários quadrantes, este último ano foi apagado para esta associação.
O comércio local, por seu lado, continua a oferecer fortes resistências em modernizar-se. Salvo excepções raras, o perfil do “maior centro comercial ao ar livre da região” é pobre, descuidado, pouco estimulante e pouco atractivo para o consumidor.
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Entrada renovada
O ARRANJO URBANÍSTICO na entrada da vila de Caldas das Taipas que mais trânsito regista, ligando-a à cidade Guimarães, parece que vai arrancar. Era uma intervenção que se tornava urgente, não só para tornar a entrada na vila mais agradável, mas sobretudo para tornar aquele cruzamento viário mais funcional, eficiente e seguro.
Desconheço o projecto e portanto os limites da área de intervenção. No entanto, esta talvez fosse uma boa oportunidade para tratar o acesso à margem do rio incluindo o pontilhão – caminho de passagem que liga duas freguesias.
Talvez fosse de aproveitar a circunstância para dar alguma luz nocturna não só a este trajecto pedonal, mas também ao pontilhão do Rio Ave – um Monumento Nacional, classificado desde 1926 que merecia outro tipo de destaque naquela entrada da vila. A solução mais simples seria colocar uns projectores de luz na ponte para que, ao atravessá-la, o monumento fosse visível.
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La Llorona
LHASA DE SELA DESAPARECEU no início deste 2010. Chamavam-lhe nómada porque era uma desalinhada – da vida que deixou, da arte que produziu e da carreira que, pura e simplesmente não quis gerir, deixando que a sua voz fizesse tudo. Descobri La Llorona, primeiro de três discos, de 1998 e com facilidade fui transportado para os lugares mais recônditos da imaginação. Lhasa “partiu como sempre viveu. Sem grandes alaridos. Partiu livre. Como sempre viveu” – disse Vasco Sacramento, agente da cantora, ao bodyspace.net
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Estado cool da saúde portuguesa
Durante a semana passada os órgãos de comunicação social davam conta da abertura de uma nova plataforma na internet por onde passou a ser possível a consulta dos processos pelos utentes incluídos nas listas de espera para cirurgias nos nossos hospitais.
Esta medida quebrou, na minha opinião, o bom período que a ministra Ana Jorge atravessou na gestão da crise da Gripe A. A ministra mostrou sempre segurança na condução do processo, transmitindo-a pessoalmente à população e minimizando situações de maior pânico. Sabemos que no terreno, nem sempre as coisas correram como a ministra dizia, mas o importante era manter a situação controlada e te-lo-á conseguido.
Agora, com o caso do eSIGIC, a senhora ministra tenta levar a ilusão um pouco longe de mais, transmitindo a ideia de que é cool fazer parte da lista de espera por serviços de saúde em Portugal, como se de uma rede social se tratasse. Não é exactamente a mesma coisa ter um perfil no eSIGIC e no Facebook.
Desvia-se assim a atenção do essencial que é a existência de listas de espera em si mesmas, que nunca deveriam existir, passando pelo contrário a ser algo cada vez mais instituído.
A imagem que ilustra este post faz parte de uma campanha publicitária da organização Heath Care For America, cujo objectivo é impulsionar a reforma do sistema de saúde nos EUA. As dificuldades de acesso ao sistema público de saúde não são um problema exclusivamente português, embora tal facto não sirva de desculpa para o que quer que seja.
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Bom Natal
Esta é sempre uma época de balanços, exames e avaliações. O tempo é uma linha contínua, mas nós fazemos questão de a compartimentar seja em anos, décadas ou séculos. Talvez um dos propósitos seja mesmo esse, o de fazer balanços e lançar novas perspectivas sobre o futuro.
É também uma época de maior atenção com as relações humanas e com manifestações de afecto. Lembram-se causas solidárias, como se houvesse um tempo próprio para nos lembrarmos delas, dando-nos a desculpa de quase esquecermos as mesmas causas durante o resto do ano.
Há sempre três natais: aquele que nos querem fazer passar através de produtos e imagens cada vez mais apelativos; o nosso Natal; e o Natal dos outros que têm um Natal diferente do nosso.
Na noite de Natal, quando a maior parte se reune já em família e antes de eu próprio me recolher também, gosto de dar uma última volta pelas ruas desertas, nem que seja para partilhar um sorriso. Vejo quase sempre o Natal dos outros. Esta aproximação liberta-me um pouco e deixa-me com uma maior tranquilidade interior. Este Natal (o dos outros) tem a sua muito própria felicidade que, lembrámo-nos nestas ocasiões, é sempre relativa.
Desejo a todos um bom Natal e que as melhores expectativas para o ano de 2010 se concretizem da melhor forma. Desejo sobretudo, que consigamos aprender definitivamente a conviver em paz uns com os outros.
Saudações,
Paulo Dumas
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Natal sempre e onde se quiser
Desde o início da época natalícia que os espaços públicos da vila passaram a ostentar presépios elaborados pelos alunos das várias escolas do Agrupamento Vertical de Caldas das Taipas. Trata-se a meu ver de uma iniciativa enorme mérito e simpatia na medida em que é uma forma de transmitir votos de Boas Festas e ainda de transpor o trabalho que se faz nas nossas escolas, muitas vezes fechadas sobre si mesmas e com pouca interacção com o meio envolvente. “Os professores já têm muito que fazer dentro das escolas” dirão alguns e terão a sua razão.
Mas, mais do que uma forma de trazer um pouco das escolas para o espaço público, esta é também uma forma de utilização do espaço público que deveria ser alargada a outros domínios. Infelizmente a meteorologia não o tem permitido, mas as actividades em espaços públicos são sem dúvida uma forma de envolvimento de toda a população. Neste caso particular poderá ser uma forma de os mais novos começarem a considerar os nossos largos e praças de uma outra forma.
Não haverá palco mais estimulante, envolvente e sobretudo mais nosso do que o espaço público. Parabéns aos responsáveis pela iniciativa e também aos pequenos artistas pela simpatia.
Também as crianças do Centro Social saíram do seu espaço habitual para, noutro palco, apresentar o seu espectáculo de Natal, ao mesmo tempo que eram expostas novas abordagens sobre a tradicional imagem do presépio, aqui adaptada à actividade profissional dos pais. Foi pena esta exposição não ter estado disponível por um período mais alargado de tempo.
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Água Mole
Em alturas de grandes e repentinas chuvadas, como as que assistimos por estes dias, torna-se mais fácil perceber que muitas vezes o projecto das nossas ruas, estradas, passeios, praças e largos não teve em respectiva conta um dos elementos naturais mais teimosos – a água.
São mais que frequentes os “lençóis de água”, as poças de água, as sarjetas entupidas. Isto acontece porque o trajecto natural das águas foi interrompido em determinado ponto e por isso, a água deixou de correr, acumulando-se. Mas a água tem sempre que passar por algum lado. Lá está – é teimosa. Isto, por vezes, conduz a catástrofres várias, muitas vezes reportadas, seja em áreas de leito de cheia, seja em áreas de cabeceira de cursos de água ou seja, pura e simplesmente, quando um obstáculo se tenta impor contra um curso de água, à primeira vista inofensivo.
Na fase de projecto de urbanismo é comum estudar qual o comportamento da água antes de qualquer intervenção. Normalmente isto faz-se com recurso, nomeadamente, ao estudo dos declives e às Cartas Geográficas do Exército. Nestes, estão representadas as linhas azuis que não são mais do que representações dos cursos de água. Mas isto não chega. Muitas as vezes, algumas das linhas de água representadas nas cartas são virtuais, ou seja, desaparecem nos períodos secos, mas ressurgem quando se registam chuvas mais persistentes. O seu percurso deveria, por isso ser sempre considerado.
Neste contexto, o ditado popular que diz que: “água mole em pedra dura tanto dá até que fura” assume um significado maior. Por vezes e infelizmente com consequências desagradáveis, quando não catastróficas e tristes.
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Portugal tremeu ontem. Parece que poucos se aperceberam. Talvez já estejamos habituados a ver o país tremer a toda a hora.
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