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Qual instalação de Christo e Jeanne-Claude, a Pensão Vilas foi tapada por uma tela gigante. Se o objectivo era dar nas vistas. Parabéns, conseguiram. Se o propósito era um grande disparate. Parabéns. Também conseguiram.


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Está de volta o evento que mais terá contribuído para o aparecimento de uma geração de músicos e de bandas rock nas Caldas das Taipas nos últimos anos, numa manifestação única de vitalidade e de vontade criativa da população mais jovem da vila e dos arredores (muitas vezes desvalorizada e desprezada).

Foram dez anos em que se cultivou o gosto pela música, o aperfeiçoamento de uma cultura pop e rock desde os bancos da escola até pequenos palcos na região mais próxima e mesmo por todo o país.

O Rock in Taipas está de volta. E ainda bem que está de volta porque faz falta um evento assim na vila e faz todo o sentido que se continue a apostar na manutenção do que se conseguiu construir durante a última década. Pelo menos o estímulo de acalentar a hipótese de poder um dia tocar no Rock in Taipas. (Não foi por isso que surgiram muitas das bandas nas Taipas?)

Serão seis bandas e duas noites com propostas musicais no mínimo muito interessantes. Depois há mais festa lá para os lados de Sande.

PS: Gostava de publicar, para memória futura, um post com o histórico dos alinhamentos de todas as edições do Rock in Taipas, se possível ilustrado com os míticos flyers/ cartazes. Alguém me dá uma ajudinha?


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É daquelas notícias estranhas de receber porque respeitam a algo, ou alguém neste caso, a que nos habituamos a ter como imortal. Morreu o Michael Jackson. Muito embora não seja fã do artista, na análise fria do momento, pensei que tinha desaparecido o Elvis da minha geração.

Elvis e Jackson tornaram-se ídolos de uma geração, permanecem ícones pop que couberam numa serigrafia do Warhol, foram motivo de histeria e fanatismo colectivos, continuam a vender discos e vivem por si sós além de toda a exploração da indústria de que foram produto. Desapareceram como resultado do processo da sua própria decadência.

Michael Jackson quis ser Ícaro e queimou-se. Caiu e desapareceu. Há uma marca que deixa num período entre a segunda metade da década de 1970 (na Motown) e início dos 80’s com o lançamento de dois discos que viriam a ficar para a história da estética pop: Off The Wall e Thriller produzidos por Quincy Jones.


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Entre os primeiros sinais de festa, com as primeiras mostras do programa das Festas da Vila e de S. Pedro, houve um acontecimento sério e à partida de interesse para a vila (sem querer dizer que a festa e a alegria não devam ser uma coisas sérias – são com certeza).

O grupo Por Amor Às Taipas decidiu colocar a vila no centro de um debate. Poderia pensar-se que os resultados do debate, vindos de uma candidatura político-partidária, estariam à partida condicionados. Assim como o discurso demasiado ensaiado. Era natural que assim fosse.

Porém, houve momentos surpreendentes em que vários dos intervenientes em debate discordaram entre si e até mesmo o moderador não se coibiu de mandar a sua farpa, o que atenuou aquela condicionante. Apesar do calor, valeu a pena.

Destaco dois resultados de que gostei particularmente de ouvir.

Em primeiro lugar, a introdução no discurso político local das preocupações de ordenamento e planeamento do território da freguesia.

Lembrei-me a este propósito de duas ideias. Nas últimas eleições os candidatos centraram-se basicamente em apresentar projectos, sem que se percebesse como é que estes se relacionavam entre si.

Um dos três grupos de trabalho incumbido de concertar um conjunto de ideias no sentido de “Projectar a Vila”, apresentado pelo arquitecto Isac Marques, foi exposta a necessidade de definir áreas de intervenção através de Planos de Pormenor, que articulassem os bens patrimoniais, a rede viária ou ainda os vários projectos a edificar que devem ser pensados para a vila, através nomeadamente do tratamento espaço público.

É um avanço que me satisfaz, muito embora continue a preferir a ideia de que um só Plano de Urbanização talvez fosse mais eficaz, com um único regulamento, mas com várias unidades operativas.

Houve uma segunda imagem que me ocorreu enquanto assistia ao debate. Curiosamente foi naquele mesmo espaço, no Salão da Escola EB 2,3, que em 1983 foi apresentado o Plano Geral de Urbanização das Taipas. Um plano que embora coordenado pelo arquitecto Manuel Fernandes de Sá, teve também a colaboração próxima do arquitecto Fernando Távora.

Recordo vagamente esse dia, mas do que retenho leva-me a concluir que aquela terá sido a última oportunidade que Caldas das Taipas teve de optar por um desenvolvimento sustentado, respeitando as características que sempre a distinguiram. Não resultou, e desde aquela derradeira tentativa a vila cresceu torta para que agora mais dificilmente se possa endireitar.

Sabemos infelizmente que entre a definição de estratégias e a sua implementação; da elaboração de planos e projectos à sua execução há um imenso espaço que urge encurtar.

O segundo grande resultado que gostaria de registar respeita à necessidade defendida por alguns dos intervenientes de uma verdadeira aposta na cultura na vila. Para não tornar este post demasiado longo (e porque confesso que estou cansado), deixarei essa reflexão para os próximos dias.


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As pessoas idosas têm direito à segurança económica e a condições de habitação e convívio familiar e comunitário que respeitem a sua autonomia pessoal e evitem e superem o isolamento ou a marginalização social.

A política de terceira idade engloba medidas de carácter económico, social e cultura tendentes a proporcionar às pessoas idosas oportunidades de realização pessoal, através de uma participação activa na vida da comunidade.

Constituição da República Portuguesa – Artigo 72.º

Em dois aspectos parece que todos estão de acordo: 1) Caldelas precisa de (pelo menos) um Lar de Idosos; 2) A localização preferencial para instalar esse Lar de Idosos é o edifício onde funcionou a Pensão Vilas.

Quando ao primeiro ponto é relativamente fácil sustentar essa necessidade recorrendo às tendências demográficas que apontam para um progressivo envelhecimento da população. De acordo com os cenários traçados perante essa evidência torna-se necessário tomar diligências no presente para que as necessidades sejam menos críticas no futuro.

A criação de equipamentos é (ou deveria ser) parte de um exercício de planeamento feito com base em projecções demográficas, utilizando modelos matemáticos. É possível, por exemplo, estimar qual a estrutura da população dentro de um horizonte temporal definido. Daqui que a análise das necessidades futuras deva ser sempre o ponto de partida. No caso: quantos idosos teremos daqui a 10 ou 20 anos e que equipamentos de apoio à terceira idade serão necessários.

Encontrada a quantificação das necessidades chega-se ao segundo ponto que é o da localização. Onde vamos localizar esses equipamentos? Quais possibilidades existentes e qual aquela que melhor serve os respectivos propósitos?

No caso de Caldelas torna-se óbvio e consensual que a melhor solução para instalar um Lar de Idosos é o edifício da antiga Pensão Vilas e são vários os argumentos que podem e devem ser utilizados para sustentar esta hipótese, aliando a necessidade de um equipamento com características particulares, às questões relacionadas com encontrar a melhor solução do ponto de vista do ordenamento do território.

Um primeiro ponto, talvez o mais evidente, é o enquadramento do edifício. Desde logo porque é dos poucos pontos da vila de onde é possível chegar ao parque de lazer e à zona ribeirinha sem que seja necessário atravessar uma única passadeira. A zona, estando no centro da vila, tem também uma ligação privilegiada com o parque. Este aspecto associado às prováveis limitações físicas da população a que se destina o Lar de Idosos é valiosíssimo.

Ainda no que respeita à envolvente da Pensão Vilas, não será de negligenciar a proximidade com o edifício dos Banhos Velhos que poderá igualmente ser requalificado. Esta conjugação poderá ser decisiva para a dinamização e vivificação daquela zona da vila, ao mesmo tempo que evita a segregação de parte cada vez mais significativa da população caso o Lar de Idosos fique fora do centro da vila.

Os equipamentos de apoio à terceira idade serão cada vez mais importantes na organização do território. No princípio do século XX surgiu um modelo de cidade chamado “cidade-jardim”, preconizado por Ebenezer Howard – um pioneiro do urbanismo moderno. Já então esse modelo de organização do território defendia que as várias actividades do homem deveriam estar localizadas de forma a melhor se harmonizarem com as características naturais. Na organização do território Howard colocava a escola como equipamento de proximidade e como núcleo central dos bairros, envolta da qual tudo se organizava.

No início do século XXI talvez seja de equacionar que também os equipamentos de apoio à terceira idade devam estar localizados nos centros urbanos. Por este mesmo motivo manifestei-me na altura desfavoravelmente à ideia do actual executivo da Junta de Freguesia quanto à mudança das escolas para fora do centro da vila – precisamente porque os equipamentos que têm gente dentro, devem ser equipamentos de proximidade e devem estar inseridos nos centros urbanos, desde que garantidas as condições para o seu bom funcionamento.

O edifício da Pensão Vilas encontra-se em pleno centro urbano da vila de Caldas das Taipas há muitos anos em estado de abandono e em processo acelerado de degradação. Dadas as características originais do edifício (uma pensão) não é difícil imaginar ali um equipamento para a terceira idade. Por isso, o aproveitamento de um edifício que já existe, a sua reconversão e regeneração urbana daquela zona da vila são outros argumentos favoráveis à solução da Pensão Vilas.

Por tudo isto entendo que, sem prejuízo da hipótese de poder vir a existir mais do que um Lar de Idosos na freguesia, a hipótese prioritária deveria ser a Pensão Vilas e todos os esforços deveriam ser concentrados, para já, nesta solução, sob pena de pura e simplesmente anularmos uma boa oportunidade para resolver, de uma vez, vários problemas da vila da melhor maneira.

* este texto foi originalmente publicado em www.reflexodigital.com, em 19 de Junho de 2009


“Mais do que tudo, os portugueses precisam de exemplo. Exemplo dos seus maiores e dos seus melhores. O exemplo dos seus heróis, mas também dos seus dirigentes [...].

Políticos, empresários, sindicalistas e funcionários: tenham consciência de que, em tempos de excesso de informação e de propaganda, a vossas palavras são cada vez mais vazias e inúteis e de que o vosso exemplo é cada vez mais decisivo. Se tiverem consideração por quem trabalha, poderão melhor atravessar as crises. Se forem verdadeiros, serão respeitados, mesmo em tempos difíceis.

Em momentos de crise económica, de abaixamento dos critérios morais no exercício de funções empresariais ou políticas, o bom exemplo pode ser a chave, não para as soluções milagrosas , mas para esforço de recuperação do país.”

António Barreto, no discurso das comemorações do 10 de Junho – Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades

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Depois de analisados os resultados das últimas eleições para o Parlamento Europeu, dos quais sobressai a elevadíssima taxa de abastenção e de onde, por sua vez, se conclui a assustadora alienação do eleitorado perante vários temas que os afectam directa ou indirectamente nas suas vidas, o discurso de António Barreto durante as comemorações do 10 de Junho não pderia ter sido mais oportuno.

António Barreto, a par de Eduardo Lourenço, deverão ser as personalidades que melhor têm estudado o “ser” português e as transformações que se têm vivido em Portugal nas últimas décadas. Um de uma perspectiva interna, de dentro; e outro de um Portugal visto de fora.

O texto de António Barreto deveria servir para que cada um dos portugueses reflectissem sobre o seu papel individual na construção da sociedade em que vivem. Particularmente daqueles que têm algum tipo de papel privilegiado na conformação da mesma sociedade e na elevação dos seus valores mais básicos. O mesmo texto deveria ser dado aos alunos das escolas para respectivo estudo e reflecção. Ou, como defende José Manuel Fernandes no editorial do Público de quinta-feira, 11 de Abril, “enfie o barrete quem sentir que ele lhe serve, mas aquelas palavras mereciam ser afixadas em todo o lado, pois em todo o lado se esquece a importância dos bons exemplos”.


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O jornal Expresso do Ave é, segundo a candidatura Por Amor às Taipas, o único jornal “isento” de Guimarães. Todos os outros andam a encobrir aquilo que os socialistas querem à força toda que seja verdade.

Torna-se evidente que a noção de imparcialidade de quem personifica a mesma candidatura é deficiente, mas mesmo assim insistem em dar lições sobre como fazer jornalismo. Andam a dar tiros nos pés e não querem que isso seja notícia…


Não há nenhum tipo de divisão ou de gestão e assunção de responsabilidades públicas que possa deixar de ter subjacente a ela uma visão política sobre a sociedade e sobre a forma de promover o desenvolvimento comunitário. Ou seja, nesse sentido, não vou nada atrás de discursos do senso comum da despolitização da vida pública.

A vida pública precisa de ser politizada. Mas ter uma visão política do mundo e da vida é uma coisa completamente diferente de ter uma visão político-partidária.

Um servidor público, que é aquilo que me considero, um servidor do Estado, da coisa pública, para bem servir a coisa pública precisa de ter uma visão política, mas simultaneamente não pode deixar-se enredar numa visão partidária da coisa pública.

José Augusto Araújo in Reflexo #156, de Junho de 2009


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foto: Margarida Paiva – “Fronteiras do Género”

Numa altura em que se vão discutindo em Guimarães as propostas de investimento para a Capital Europeia da Cultura em 2012 – em que, até lá, se prevê que sejam gastos 111 milhões de euros, dos quais 70 milhões serão gostos em novos equipamentos culturais, poderá colocar-se a questão do custo de oportunidade da construção desses mesmos equipamentos, nomeadamente no que respeita à sua localização, tendo em perspectiva a sua utilização depois de 2012.

Pelo que se vai sabendo, todos os equipamentos deverão ficar localizados na cidade de Guimarães. Por isso, poderá ser colocada uma hipótese alternativa de deslocalizar alguns dos equipamentos para fora da cidade. Essa hipótese sustenta-se num princípio simples. A cidade de Guimarães já tem motivos suficientes de atracção. Por isso, põe-se a questão se não seria sensato apostar no potencial de atracção de outras centralidades do concelho de Guimarães, dotando o mesmo de uma rede alargada de equipamentos culturais.

De Braga surge um bom exemplo de como a descentralização cultural funciona. No Mosteiro de Tibães, que tem sido alvo nos últimos anos de uma notável operação de restauro, está instalada a exposição de fotografia dos Encontros da Imagem – um certame com vinte anos de existência e que, segundo os seus organizadores, se tornou num “dos mais prestigiados acontecimentos, no âmbito das artes visuais, do nosso país e com granjeado reconhecimento internacional”.

Se havia motivos suficientes para visitar o Mosteiro de Tibães, há agora um pretexto acrescido. E um pretexto que merece ser reconhecido e recomendado, pela qualidade complementar que os Encontros da Imagem providenciam ao local e à cidade de Braga onde muitas das actividades funcionaram.

Os Encontros da Imagem vêm comprovar que existe uma alternativa à concentração de equipamentos e eventos culturais num único grande centro. Essa alternativa poderá ser encarada como uma boa oportunidade para aproveitar, desenvolver e dinamizar o potencial de algumas centralidades em Guimarães e que poderiam funcionar como alternativa à cidade e como factor de coesão do território.

[site] Encontros da Imagem