CINEMA, EXPRESSÕES, IMAGENS, LISTAS

Filmes marcantes

A propósito da passagem dos 60 anos do Cineclube de Guimarães, foi-me pedido que elencasse os cinco filmes que se tornaram para mim mais marcantes. Estes foram os que me vieram logo à ideia e, por isso, terão sido de facto marcantes.

Não tinha feito este exercício antes e esta escolha foi deliberadamente muito impulsiva. Ficaram filmes maravilhosos de fora, como é inevitável em qualquer lista que se faça. Mas é curioso tratarem-se todos de filmes pouco óbvios, que não se tornaram clássicos absolutos.

São, todos eles, evidentemente muito diferentes. Mas colocados assim, uns ao lado dos outros, parece-me que são trespassados por perspectivas muito próprias acerca da passagem do tempo e da noção de finitude.

: Viagem Até ao Princípio do Mundo – Manoel de Oliveira (1997)
: Mar Adentro – Alejandro Amenábar (2004)
: O Céu Gira – Mercedes Álvarez (2004)
: Elephant – Gus Van Sant (2003)
: Lucky – John Carroll Lynch (2017)

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GUIMARÃES, OPINIÃO, REFLEXO

O caminho de Guimarães como Capital Verde da Europa começa agora

Um dos dilemas no último verão foi a seca extrema que chegou a uma parte significativa do território português. A região norte de Portugal é onde mais chove e onde menos se sentem os efeitos que já são bastante notórios no Alentejo ou no Algarve. A ideia que a água um dia nos poderá faltar parece um disparate ou um mal que nunca nos chegará. Mas é bom que estejemos capacitados para isso.

Guimarães defendeu uma candidatura a Capital Verde Europeia, que desvalorizou o principal rio do concelho, que dá de beber a uma parte significativa da sua população. Ao longo dos vários momentos em que se assistiu a essa defesa, sempre se notou uma completa displicência em fazer de conta que o Rio Ave não é um problema.

É um facto que Guimarães pode ser capital de muitas coisas. Mas não é até agora uma cidade com tradições na aplicação de políticas de Ambiente, estando agora a dar os primeiros passos nesse sentido. São passos importantes porque apontam uma direção e um caminho a seguir. Isso sim, deverá ser fundamentado de forma consistente pelos nossos responsáveis políticos, além do horizonte dos mandatos autárquicos.

A Câmara Municipal de Guimarães, através do Laboratório da Paisagem, organizou um debate/ conferência sobre comunicação e Ambiente. Para o evento chamou vários responsáveis por órgãos de comunicação social, ao nível local e nacional. Como convidados especiais estiveram ainda Geoffrey Lean, apresentado como o primeiro jornalista ambiental do mundo e Richard Weyndling, da Environmental News Daily Service.

O programa previa uma apresentação da Capital Verde Europeia, por parte da coordenadora da Estrutura de Missão criada para gerir a candidatura. Isabel Loureiro não fez uma única referência ao Rio Ave, ao contrário dos oradores internacionais, que mencionaram de forma clara a importância dos recursos hídricos numa política de defesa e gestão do Ambiente.

Tal como aconteceu com a Cultura, a Capital Verde Europeia deveria ser o culminar do amadurecimento de um trabalho, com resultados substantivos. Guimarães ainda não tem nada disto: o PAYT ainda não saiu do centro histórico; o primeiro autocarro elétrico, pode ser simbólico, mas circulará vazio a maior parte do tempo, como os outros autocarros; de resto, não existem transportes públicos capazes de servir de alternativa ao automóvel; não há um Plano Municipal de Mobilidade; as vias cicláveis são unicamente para uso lúdico; e o rio continua a ser o sumidouro de descargas poluentes.

Neste ponto, é ainda significativamente mais longo o caminho que Guimarães tem para percorrer, do que aquele que percorreu até agora em matéria de Ambiente. A cidade é exemplar em muitas coisas, mas não o é seguramente neste domínio. Acredito que tem condições para ser e aí terá argumentos fortes para ser a Capital Verde da Europa. Por isso, o caminho começa agora.

É sabido o muito que a Câmara investe na sua comunicação institucional. Mas, além de pretenderem pintar um quadro todo muito verde, seria um ato de honestidade política apontar os aspetos que necessitam de ser corrigidos e assumir os respetivos compromissos sobre a forma de resolver os problemas que ainda existem em Guimarães.

Os vimaranenses vão querer sempre ver a sua cidade como sendo a melhor, mas aqui é primordial que sintam que Guimarães é o melhor concelho para eles próprios, em vez de se limitarem a fazer pose para ficarem bem numa fotografia. Guimarães tem todas as condições propícias para ser um dia Capital Verde da Europa, mas quando houver uma efetiva consolidação de muitas das boas ideias que surgiram nos últimos cinco anos.

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EXPRESSÕES, MÚSICA, PENSAMENTOS

The name of the game

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Esta é uma daquelas notícias que causa sempre muito falatório na altura em que surge, mas que depois é inconsequente. Os ABBA anunciam que estão a trabalhar em músicas novas.

Provavelmente, estes esforços resultarão num novo disco, do qual ninguém quererá saber e que ficará arrumado nas estantes das pechinchas. Já os concertos, se os fizerem, será com certeza outra história.

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IMAGENS, JORNALISMO, PENSAMENTOS

A revolução não será televisionada

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Todos os momentos históricos por que passei desde que sou gente, vi-os através da televisão: a queda do muro de Berlim, o maior alargamento da UE, as guerras no Golfo, o colapso do World Trade Center, as primaveras árabes.

O aperto de mão entre os dois líderes das Coreias foi o primeiro momento considerado histórico (ainda que com muitas interrogações) que vi pela primeira vez através das redes sociais.

Provavelmente, a revolução não será mesmo televisionada.

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MÚSICA, OPINIÃO

Blitz (2006-2018)

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Lia com muito interesse, embora, quando era o jornal semanal, ao interesse se juntasse um prazer maior. Quando acabou o jornal, pensei que a revista era melhor do que nada. Para já, o site não me chega para preencher o vazio que deixa a revista e que deixou o jornal, em 2006.

O/A Blitz impresso era a referência. Qualquer artista/banda valorizava muito quando saia na Blitz. Ou ficava insatisfeito quando não saia nada (que é na verdade uma forma de valorização).

Devia dar mais destaque a isto ou àquilo? É verdade que podia, mas o que era feito era bem feito, desde logo, por exemplo, os trabalhos do Rui Miguel Abreu, que são hoje e mais serão no futuro, importantes documentos.

Tenho pena que desapareça o título. É certo que o digital é mais barato, mas não é a mesma coisa. Além disso, há muita coisa que não está no site (as críticas, as ilustrações, por exemplo).

Quando houver uma hecatombe nos servidores, eu terei sempre os jornais/revistas para consultar. Espero continuar a “encontrar por aí” a Lia Pereira, a Rita Carmo, o Rui Miguel Abreu, o Miguel Cadete o Luís Guerra e o Mário Rui Vieira.

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OPINIÃO

A tradição não precisa de ser sempre o que era

Esta noite, ouvi foguetes sem parar a partir da meia-noite até sensivelmente à 1.45h. Eu percebo a questão da trabição e até respeito quem acha muita piada aos foguetes.

Quando se colocam questões maiores, seguramente maiores que o potencial divertimento de ouvir estouros sem sentido no céu, creio que é de um arcaísmo confrangedor, que diz muito do sentido de responsabilidade vernacular do nosso povo.

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